Coisas que Só Brasileiros Entendem
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Ser brasileiro é algo que vai muito além de ter nascido neste pedaço de terra. É um jeito de ser, de falar, de comer, de se relacionar e de encarar a vida que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Existem coisas que fazemos no dia a dia, expressões que usamos e situações que vivemos que, para um estrangeiro, simplesmente não fazem o menor sentido. Mas para nós, são a coisa mais natural do mundo.
Prepare-se para sorrir, concordar com a cabeça e talvez até dar uma gargalhada reconhecendo cada item desta lista.
Na cozinha e à mesa
Arroz com feijão todo dia e não enjoar. Para o brasileiro, arroz e feijão não são apenas comida. São uma instituição. Almoçar sem essa dupla é como sair de casa sem roupa. Pode até acontecer, mas não parece certo. E cada família jura que faz o melhor feijão do mundo.
Pôr farofa em tudo. Churrasco sem farofa? Feijoada sem farofa? Até no cachorro-quente tem gente que põe farofa. Essa mistura de farinha com temperos é uma paixão genuinamente brasileira que nenhum estrangeiro consegue explicar.
A rivalidade entre coxinha e pastel. Não importa a idade: todo brasileiro tem uma opinião forte sobre qual salgado é o melhor. E não adianta tentar ser diplomático, porque a discussão é séria.
Café a qualquer hora do dia. Café de manhã, depois do almoço, no meio da tarde, depois do jantar. E se alguém oferece café, a resposta correta é sempre “aceito”. Recusar café é quase uma ofensa.
A manteiga versus margarina. Uma questão filosófica brasileira. E não é raro encontrar famílias divididas sobre o assunto, com a manteiga guardada do lado esquerdo da geladeira e a margarina do lado direito.
Expressões que ninguém traduz
“Se Deus quiser.” A resposta padrão para qualquer plano futuro. “Vou viajar na semana que vem, se Deus quiser.” “Amanhã eu passo aí, se Deus quiser.” É uma mistura de fé, esperança e aquela desconfiança de que as coisas podem não sair como planejado.
“Estou chegando.” Pode significar qualquer coisa entre “acabei de sair de casa” e “ainda estou decidindo se vou”. A relação do brasileiro com a pontualidade é criativa.
“Vai com Deus.” A despedida mais brasileira que existe. Não importa se a pessoa vai ao mercado ou para o outro lado do mundo. “Vai com Deus” é o abraço verbal que damos antes de soltar.
“Uai.” Se você é de Minas Gerais, essa palavra serve para absolutamente tudo: surpresa, indignação, concordância, dúvida. E se não é mineiro, provavelmente tem um amigo mineiro que te contaminou com o “uai”.
“Oxe.” A versão nordestina do “uai”, com a mesma versatilidade e ainda mais personalidade.
“Que nada!” A forma brasileira de discordar sem ser grosso. “Você acha que vai chover?” “Que nada! Sol o dia inteiro.”
Hábitos e costumes
Tomar banho pelo menos duas vezes por dia. Para o brasileiro, isso é tão básico quanto respirar. Falar para um estrangeiro que tomamos dois ou três banhos por dia gera um espanto enorme. Em muitos países, um banho diário já é considerado frequente.
Dar tchau com a mão quando desliga o telefone. Ninguém vê, mas todo brasileiro faz. É automático. Você desliga o celular e a mão se levanta sozinha para acenar.
Pôr música para limpar a casa. Ninguém limpa a casa em silêncio. É uma lei não escrita. Pode ser sertanejo, pode ser pagode, pode ser MPB. Mas sem música, a vassoura não rende.
Guardar sacola dentro de sacola. Em algum lugar da sua cozinha existe uma sacola recheada de outras sacolas. E todas elas “podem servir para alguma coisa”.
A cadeira de plástico branca. Ela está no quintal, na calçada, na varanda e no churrasco. É o trono da democracia brasileira. Não importa se é mansão ou casa simples, a cadeira de plástico branca marca presença.
O chinelo de dedo como calçado oficial. Do presidente ao pedreiro, do litoral ao interior, o chinelo de dedo é o calçado mais democrático do Brasil. Serve para ir ao mercado, para andar pela casa e, em algumas regiões, até para festas.
Datas e celebrações
Natal com 35 graus. Enquanto o mundo inteiro associa Natal a neve, lareira e chocolate quente, o brasileiro comemora com suor, ventilador e sorvete. E mesmo assim insiste em fazer chester, peru e rabanada.
Festa junina em escola. Todo brasileiro passou por essa experiência: vestir camisa xadrez, pintar bigode com lápis de olho, dançar quadrilha e comer pipoca até não aguentar mais. E mesmo adulto, sentir saudade dessas festas é inevitável.
Virada do ano na praia. A tradição de ir à praia vestido de branco, pular sete ondas e fazer pedidos é algo que só faz sentido para quem é brasileiro. E cada um tem sua simpatia particular que “funciona de verdade”.
O almoço de domingo. Mais do que uma refeição, o almoço de domingo é um evento social. A família se reúne, a comida é especial, a conversa se estende e ninguém tem pressa. É o momento mais brasileiro da semana.
No trânsito e na rua
Dar seta depois de virar. Um clássico brasileiro. A seta que deveria avisar que vai virar só aparece quando o carro já virou. Mas faz parte.
O vendedor de pamonha. Ouvir aquele grito inconfundível de “olha a pamoooonha” passando na rua é uma experiência sonora exclusivamente brasileira. E junto com ele, o amolador de facas, o vendedor de biju e o caminhão do gás.
Cumprimentar o motorista do ônibus. Em cidades menores, entrar no ônibus sem dar “bom dia” ao motorista é quase falta de educação. Esse hábito diz muito sobre o jeito brasileiro de se relacionar.
Na vida social
Chegar atrasado não é chegar atrasado. No Brasil, existe o “horário brasileiro”, que é aquele acréscimo automático de 30 minutos a uma hora em qualquer compromisso social. Se a festa é às 20h, antes das 21h ninguém aparece.
Convidar para entrar. Não existe “ficar na porta” no Brasil. Se alguém bate na sua porta, a reação imediata é “entra, entra”. E logo em seguida: “quer um café?”.
O abraço no cumprimento. Brasileiro se abraça. Se conhece há cinco minutos ou há cinquenta anos, se encontrou no trabalho ou na padaria. O abraço é nosso aperto de mão turbinado.
A vizinha que sabe de tudo. Em toda rua tem aquela vizinha que sabe a hora que você saiu, a hora que voltou, quem te visitou e o que você comprou no mercado. Não é fofoca, é “estar informada”.
Por que amamos ser brasileiros
Com todas as dificuldades, desafios e contradições, ser brasileiro tem um sabor especial. É pertencer a um povo que transforma dificuldade em criatividade, que encontra motivo para rir mesmo nos dias difíceis e que acolhe com generosidade quem cruza seu caminho.
Essas pequenas coisas do dia a dia, que parecem bobas, são na verdade os fios que tecem a identidade cultural de um povo único. São hábitos passados de geração em geração, expressões que carregam séculos de história e costumes que nos unem de norte a sul.
Se você se identificou com a maioria dos itens desta lista, parabéns: você é inconfundivelmente brasileiro. E isso é motivo de muito orgulho.
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